O que fazer com o lixo rural?

O que fazer com o lixo rural?

lista de reportagens

Assunto:
Desenvolvimento Rural SustentA?vel

A coleta, destinaA�A?o e tratamento de resA�duos sA?lidos nA?o sA?o questA�es que afetam somente os grandes centros urbanos. Devido A� ineficiA?ncia e inviabilidade de recolhimento, a maior parte do lixo rural no Brasil nA?o tem seu destino final em aterros sanitA?rios ou usinas de reciclagem, e sim na queima ou descarte na natureza. De acordo com o Censo do IBGE de 2010, apesar do aumento da coleta nas zonas rurais (de 13,3% para 26% de domicA�lios atendidos em dez anos), nas A?reas urbanas o nA?mero do serviA�o estA? acima de 90%. Apesar do aumento, a dificuldade logA�stica e o alto custo inviabilizam uma maior cobertura do serviA�o no campo.

AlA�m do lixo orgA?nico domiciliar, os moradores de zonas rurais lidam ainda com resA�duos provenientes de atividades como a agricultura e criaA�A?o de animais. As embalagens de agrotA?xicos, sobras de culturas, sucatas de maquinA?rio e dejetos de animais, por exemplo, requerem cuidados especiais. PorA�m, a falta informaA�A?o, saneamento e um sistema eficiente de coleta levam muitos agricultores a simplesmente descartar estes materiais ou a adotar prA?ticas perigosas como a queima do lixo.

Esta alternativa oferece uma sA�rie de riscos nA?o sA? para o agricultor, mas tambA�m para o meio ambiente. Mesmo sendo proibida por lei, a queimada ainda A� adotada em muitas propriedades. De acordo com o IBGE, essa alternativa cresceu em torno de 10 pontos percentuais, passando de 48,2% em 2000 para 58,1% em 2010. JA? o descarte de lixo em terreno baldio, que em 2000 era adotada por moradores de 20,8% dos domicA�lios rurais, caiu para 9,1%, fruto do aumento do serviA�o de coleta.

Embalagens de agrotA?xicos O Brasil ainda A� um dos paA�ses que mais consome agrotA?xicos no mundo e a preocupaA�A?o com a destinaA�A?o correta das embalagens levou o governo a criar a Lei nA? 9.974/00 (obrigatA?ria desde 2002), determinando que as responsabilidades quanto ao destino pA?s-consumo devem ser compartilhadas entre agricultores, canais de distribuiA�A?o, indA?stria e poder pA?blico.

Por outro lado, o paA�s tambA�m A� referA?ncia na logA�stica reversa de embalagens de agroquA�micos. De acordo com dados do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), 94% dos recipientes primA?rios (aqueles que entram em contato direto com o produto) sA?o retirados do campo e enviados para a destinaA�A?o ambientalmente correta; e 80% do total das embalagens comercializadas sA?o corretamente destinadas.

a�?Hoje, nosso principal desafio diz respeito A� logA�stica em regiA�es de fronteira agrA�cola, pois a quantidade de unidades de recebimento A� menor se comparada a outras regiA�es. Para suprir essa demanda, contamos com postos de recebimento itinerantes. O inpEV possui 414 unidades de recebimento instaladas nas principais regiA�es agrA�colas do paA�s. Embora o investimento em conhecimento e educaA�A?o sobre o descarte continuem, o agricultor brasileiro jA? estA? consciente sobre a correta destinaA�A?o das embalagens de defensivosa�?, explica Maria Helena Calado, gerente de Sustentabilidade do inpEV.

A aprovaA�A?o do Plano Nacional de ResA�duos SA?lidos, em 2011, criou um marco regulatA?rio para o reaproveitamento. De acordo com a medida, os municA�pios devem, obrigatoriamente, apresentar planos para a coleta seletiva e o tratamento dos dejetos orgA?nicos. No que tange A� agropecuA?ria, a principal orientaA�A?o A� utilizar os resA�duos para a produA�A?o de energia.

Alternativas Os resA�duos produzidos em uma propriedade podem ter tambA�m outros destinos que vA?o alA�m do descarte. O lixo orgA?nico domA�stico pode ser transformado em energia, biofertilizantes e atA� mesmo artesanato, sendo aproveitado de diferentes maneiras. A compostagem A� uma das principais tA�cnicas utilizadas para transformar resA�duos em adubo que, quando adicionado ao solo, melhora suas caracterA�sticas fA�sicas, fA�sico-quA�micas e biolA?gicas.

a�?As alternativas para a adoA�A?o de um processo de compostagem sA?o muitas, desde o aproveitamento de folhosas atA� resA�duos provenientes dos abatedouros e da produA�A?o de pescado, por exemplo. O problema A� que muitos agricultores nA?o percebem que o lixo gerado nas propriedades A�, na verdade, um material riquA�ssimo que estA? sendo jogado foraa�?, explica Eiser Luis da Costa Felippe, consultor de Agroecologia do Programa Rio Rural, executado pela Secretaria de Agricultura e PecuA?ria do Estado do Rio de Janeiro (SEAPEC).

Uma tecnologia bastante econA?mica e viA?vel para destinar os dejetos provenientes de sistemas agropecuA?rios, como a suinocultura, A� o biodigestor, onde os resA�duos passam por um processo de decomposiA�A?o, eliminando os germes e bactA�rias prejudiciais ao homem e ao meio ambiente. O material restante ao final da decomposiA�A?o A� um excelente biofertilizante. Dentro do biodigestor, forma-se tambA�m um biogA?s que pode ser utilizado em fogA�es, lamparinas, e atA� mesmo em aquecimento de granjas.

a�?O biodigestor torna-se um sistema interessante devido A� grande eficiA?ncia no tratamento destes resA�duos. Assim, o produtor tem uma reduA�A?o da carga poluente em sua propriedade e os subprodutos desse processo podem melhorar a qualidade de vida e aumentar a sua rendaa�?, explica Fabiano Martimiano, engenheiro agrA?nomo da Avesuy, empresa catarinense que tem como linha de atuaA�A?o projetos voltados ao tratamento de efluentes. a�?Hoje, jA? existem linhas de financiamento voltadas para iniciativas que visam A� reduA�A?o de impactos ao meio ambiente, como o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), do Banco do Brasila�?, destaca Fabiano.

AlA�m de trazer benefA�cios para o bolso do agricultor, o biodigestor tambA�m ajuda a minimizar os impactos das atividades agrA�colas no meio ambiente. De acordo com uma pesquisa do Instituto de Pesquisa EconA?mica Aplicada (IPEA), realizada em 2009, cerca de 1,7 bilhA?o de toneladas de dejetos (com base apenas na produA�A?o de bovinos, suA�nos e aves) foram produzidos naquele ano. Mais de 70% desse montante A� jogado diretamente no ambiente, o que provoca duas consequA?ncias: impacto ambiental e desperdA�cio de matA�ria-prima.

Outra tA�cnica inovadora A� a produA�A?o de carvA?o ecolA?gico, tambA�m chamado de briquete artesanal, capaz de viabilizar uma alternativa tanto para a destinaA�A?o do lixo quanto para a questA?o da fonte energA�tica. A soluA�A?o, desenvolvida pelo educador ambiental maranhense Ewir Caldas, transforma resA�duos em biomassa e matriz energA�tica. O mA�todo foi transmitido para a FundaA�A?o Mata AtlA?ntica Cearense, que inovou a tA�cnica e replica a metodologia atravA�s de cursos.

Saiba mais sobre o carvA?o ecolA?gico na seA�A?o de Boas PrA?ticas.

a�?As vantagens do carvA?o ecolA?gico sA?o muitas. Desde a economia no bolso do agricultor, jA? que todas as matA�rias-primas sA?o gratuitas, atA� a proteA�A?o ambiental, pois reduz-se a utilizaA�A?o da madeira e, por consequA?ncia, a pegada ecolA?gica resultante da sua combustA?o, jA? que este processo emite menos fumaA�a do que o convencionala�?, explica Ednaldo Vieira do Nascimento, presidente da FundaA�A?o Mata AtlA?ntica Cearense.

+ Imagem: biodigestor caseiro em funcionamento na Colombia – ActColombia

http://www.marcosocial.com.br/reportagens/o-que-fazer-com-o-lixo-rural

Curta, compartilhe e siga:
Rolar para cima